Deu no Jornal

Micróbio do amor

os tempos em que o esgoto dependia de coleta itinerante, a obsessão pelo risco de doenças contagiosas era comum. Um texto publicado pelo Commercio de Joinville, em setembro de 1913, surpreendia o leitor com três descobertas impactantes da infectologia, logo no primeiro parágrafo.

 

Segundo o jornal, dois sábios “há pouco” tinham descoberto os pequenos seres causadores do sono e da velhice. Se não bastasse, um terceiro, o “dr. Cotton”, encontrara recentemente o micróbio do amor.

 

O Commercio informava que, no dizer do cientista, tratava-se de um bacilo que habitava “exclusivamente nas fibras do cerebro” e que produzia “effeitos analogos” aos da loucura. O micróbio tinha o poder de predispor “para o riso, para as lagrimas, para o furor e para a ternura”. A conclusão era óbvia, a doença causada pelo microrganismo “não pode ser outra sinão (sic) o amor”.

 

O jornal ia além, afirmando que, como descobrir a causa de um mal é “ter andado meio caminho” para encontrar “o seu remedio”, nos encontrávamos todos “em vesperas da suppressão do amor sobre a terra”. O autor ainda faz graça, dizendo que nesse caso “a gente” se assustará mais com a “ameaça da cura” do que com a epidemia.

 

Pelo menos o Commercio deixava alguma margem de salvação ao aflito leitor: “resta ainda a esperança, bem fundada, de que o dr. Cotton se tenha equivocado”.

 

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Commercio-de-Joinville-20-09-1913-jornal-retro

Commercio de Joinville

20/09/1913

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