Deu no Jornal

Mão Negra

Mao-Negra-Jornal-Retroe a notícia de nacionalistas sérvios agindo na vizinha Bósnia-Herzegovina e assassinando o herdeiro ao trono austro-húngaro já era surpreendente, o que dizer de um grupo clandestino da mesma vertente em ação em território brasileiro, ainda por cima na modesta Joinville (SC)? Era o que informava aos seus leitores a Gazeta do Commercio, em julho de 1914, avisando desde o início ser “bastante curioso este facto!”

 

O jornal noticiava haver um “membro da sociedade Mão Negra” operando “em nosso meio”. A Mão Negra era uma organização nacionalista sérvia que apelava ao terrorismo na tentativa de unificar em um só país (a Grande Sérvia) todos os territórios dos Balcãs – a sociedade esteve envolvida também no assassinato de Franz Ferdinand, que levou à Primeira Guerra Mundial (veja em História ao Vivo). Ao lado é possível ver o selo usado nas comunicações do grupo.

 

  Gazeta do Commercio   08/07/1914  Gazeta-do-Commercio-08-07-1914No relato da Gazeta, “pessoa edonea e conceituada” havia relatado ao jornal ter sido “intimada a satisfazer a dadiva de 500 réis”, caso não desejasse ver a própria casa “incendiada e arremessada ao ar por uma bomba”. A “referida pessoa” recebeu instruções de onde deveria colocar o “dinheiro cubiçado (sic)” em uma carta assinada “Mão negra”.

 

O RESGATE

 

Temendo as consequências, o pobre ameaçado teria colocado em um envelope “uma pequena quantia” e se dirigido ao local combinado para deixar o pagamento, a “calçada defronte ao Salão Berner”.

 

  Gazeta do Commercio   08/07/1914  Gazeta-do-Commercio-08-07-1914-2“E depois?”, pergunta-se a Gazeta. “Lá pela meia noite” apareceram “dois vultos” que não foram reconhecidos, apanharam o envelope e “desappareceram”.

 

O jornal publicou o relato, mas deixa no ar a própria suspeita em relação à presença do braço nacionalista sérvio no norte catarinense: “Resta-nos saber agora si ha veracidade em taes narrações”.

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