Deu no Jornal

Abuso de confiança

ma notícia da Gazeta do Commercio, de julho de 1915, mostra que nem só o deslocamento de pessoas era precário há um século. Como fazer uma transferência de dinheiro de uma cidade a outra, por exemplo? Podia se tornar um problema...

 

O jornal conta que o “snr. Francisco Klein”, um empregado da empresa A. Baptista & Cia, de Joinville (SC), precisava enviar seis contos de réis à filial da companhia na cidade de Rio Negro (PR). Foi ele até a estação da Estrada de Ferro, “com um maço e uma carta de dinheiro”, cada um deles no valor de três contos de réis, na esperança de “encontrar uma pessoa de confiança” que fosse fazer a viagem no próximo trem serra acima e levasse os valores em seu lugar.

 

No complicado modelo monetário da época, um conto de réis equivalia a mil vezes 1.000 réis, que não valiam grande coisa, diga-se...

 

Na estação, Klein encontrou “o negociante Wenzel Simm, seu conhecido”, e pediu-lhe o favor de entregar ao gerente da casa em Rio Negro os seis contos de réis. O “snr Simm”, diz o jornal, “promptamente attendeu o pedido e guardou a somma que lhe foi entregue com toda confiança”.

 

Por telegrama

 

De volta da estação, Klein telegrafou ao gerente de Rio Negro para informá-lo que Wenzel Simm levaria “o numerario que a casa matriz” enviava. Mas, ao ser procurado pelo funcionário do Paraná, Simm “negou ser portador de coisa alguma”...

 

Pressionado por “uma reclamação mais energica”, o viajante concordou em entregar “um maço de 3 contos de réis”, negando ter recebido a outra metade – no que foi preso pela polícia “para apurar o paradeiro dos outros trez contos de réis”.

 

O jornal fecha a estória dizendo que “Simm foi posto em liberdade sob fiscalização da policia”. Mas, do dinheiro, não houve mais notícia...

Gazeta do Commercio

  14/07/1915

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