Deu no Jornal

Malagueta antiofídica

os tempos em que uma longa lista de doenças simplesmente não eram admitidas no hospital, algo previsto até em regulamento (veja em História ao Vivo), a saída era buscar tratamento em conhecimentos alternativos. Uma estória publicada pela Gazeta do Commercio, em março de 1917, atribuía poder curativo surpreendente a um ingrediente presente em qualquer cozinha: a pimenta malagueta.

 

O jornal revelava “uma cousa que nunca tinha-se pensado neste mundo de Christo”, nada menos do que “a cura da mordedura de cobra por meio de tal pimenta”. E vai além, narrando até mesmo como o princípio terapêutico da malagueta foi descoberto, através de “um facto observado nos campos do Rio Grande”.

 

Cachorro apimentado

 

Tudo começou de forma singela, quando “uma cobra mordeu um cachorro” e esse, “como doido”, voltou correndo para a casa do dono – tudo observado por um vaqueiro à beira da estrada.

 

Uivando, o cão lambia a ferida, “até que encontra uma pimenteira”, onde “estava cahindo a malagueta de madura. Na “angustia da picada”, o bicho “mette o fucinho na pimenta, e engole-a todo afobado”.

 

Em poucos instantes, o animal se acalma, “deita-se, lambe a ferida”, tudo acompanhado de longe pelo vaqueiro, que depois se aproxima e “descobre fragmentos de pimenta”. Sem perder tempo, ele “entra na cidade e conta toda scena”.

 

Tiro de honra

 

Dias depois, “é mordido um sujeito por uma terrivel cobra venenosa e come a malagueta”. O milagre se repete: “as dores vão cessando; o sujeito olha a ferida e ve que ella vae fechando a olhos vistos”.

 

Dahi por diante”, diz a Gazeta, “ninguem vae mais a pharmacia” e a malagueta “passa a ser o tiro de honra nas mordeduras de cobras”.

 

O jornal ainda afirma que “é assim que a medicina caminha”, antes de, resumidamente, narrar outro salto da ciência: como se descobriu a utilidade do quinino no combate ao “impaludismo” (malária).

 

Como foi? “Foi descoberto por um cachorro”, que atacado pela doença “bebeu agua de poço em cuja margem havia um pé de quina”. O que seria do homem sem seu melhor amigo...

Gazeta do Commercio

  03/03/1917

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