Acredite se Puder

Cura elétrica

m tempos em que esportes violentos e de contato (como o futebol e o rúgbi) se disseminavam pelo Brasil, os esportistas eram apresentados a novas dores – que por sua vez exigiam novas tecnologias. Novidade era o que prometiam as Medalhas Elétricas do Dr. Robertson, o “Scientista Norte-Americano de New-York”, com “Marca Registrada sob o no 9027”.

 

O anúncio, publicado na Gazeta do Commercio em junho de 1914, decretava logo no título “Morte á nevralgia!” A propaganda trazia duas imagens das miraculosas medalhas. Em uma a peça parece irradiar seu campo magnético terapêutico, e em outra, mais aproximada, podia-se ler os benefícios anunciados: “Purifica o sangue, evita as biles, cura as dores e os rheumatismos”. No centro do precioso objeto ainda era possível ver gravada a promessa suprema: “saúde para todos”.

 

Gazeta do Commercio 20/06/1914 Gazeta-do-Commercio- 20-06-1914-Medalhas-Electricas- do-Dr-Robertson-Jornal-Retro

 

Como essa maravilha funcionava? Para mais explicações, rogava-se “vir ao Hotel Muller, onde se acha hospedado o sr. A. Carvalho, representante e propagandista das mesmas medalhas”. O anúncio ainda avisava: “o representante só se demora nessa cidade oito dias”. A crença no poder de cura da eletricidade não era exclusividade do Dr. Robertson - a Edição 5 do Jornal Retrô trazia outra modalidade de choque milagroso, que se apresentava na forma do Apparelho Oxypathor (veja na seção Acredite se Puder).

 

Preço? “Um estojo contendo uma medalha, QUINZE MIL RÉIS”. Muito ou pouco? Para efeito de comparação, uma passagem de bonde na Joinville daqueles dias custava 100 réis. Portanto, o valor gasto em uma medalha do Dr. Robertson equivalia a 150 viagens - o anúncio da Gazeta deve ter deixado muita gente andando a pé pela cidade, e ainda com as mesmas dores...

 

Siga-nos!