Editorial

gosto do brasileiro por todo tipo de loteria, bingo, rifa, ação entre amigos e demais atividades do gênero vem de longe. No final de 1916, porém, a sorte passaria a influir em um campo inesperado – o alistamento nas forças armadas.

 

Eram tempos de reorganização do Exército, uma necessidade que se revelava urgente pela escala e intensidade do conflito que se desenrolava na Europa, a Primeira Guerra Mundial. Até poetas se engajavam na campanha para formar um “soldado cidadão” no braço armado da nação – o governo se mexeu e naquele ano foi posto em prática o sorteio militar, assunto em História ao Vivo.

 

A imagem da capa dessa edição é de uma charge publicada pela revista O Malho, em novembro de 1915. Praças do Exército espantam o “inseto zumbidor”, retratado com a cabeça do general Gabino Bezouro, um personagem conhecido do leitor do Jornal Retrô desde a Edição 1, quando defendia a obrigatoriedade dos militares usarem bigode. Envolvido em nova polêmica, ele agora se posicionava contrário ao sorteio militar, que classificou como “inopportuno e inapplicavel” em entrevista ao jornal Diário, de Porto Alegre (RS). Na mesma charge, outros militares aparecem escutando alegremente ao poeta Olavio Bilac, por sua vez um árduo defensor do “cidadão soldado”, desenhado como uma cigarra.

 

Na seção Deu no Jornal, um anúncio da Pharmacia Delitsch ia contra todas as chances em uma busca improvável. Em Acredite se Puder, prestimosas pílulas prometiam amenizar a “nervosidade” que certamente atacava os jovens à espera do resultado da loteria militar no início do ano – e ainda por cima eram adocicadas...

Jornais de época do Arquivo Histórico de Joinville
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